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Própolis verde, um excelente suplemento alimentar



A própolis é uma substancia produzida pelas abelhas. É formada a partir das ceras e resinas e utilizada como antibiótico na colmeia quando misturada com o pólen, ajudando a impedir a proliferação de micróbios e vírus. De acordo com as espécies de plantas e abelhas, se produzem tipos de própolis variados, que se diferenciam pela cor, pela consistência e benefícios. A própolis tem vários benefícios para a saúde, entres eles, antiinflamatório, antiúlcera, cicatrizante, entre outros.


Mas nesse post quero falar especificamente da própolis verde, que é uma entre outras variedades existentes no Brasil. Ela é proveniente de substâncias da planta Baccharis dracunculifolia, popularmente conhecida como alecrim-do-campo ou vassourinha, inclusive muito abundante em Minas Gerais, meu estado de origem e que se tornou destaque no exterior pela produção de própolis verde. Ela é coletada por abelhas da espécie Apis mellifera. A composição química da própolis verde oferece qualidades terapêuticas, onde se destacam os flavonoides e os ácidos fenólicos, pois é atribuída a essas substâncias grande parte das atividades biológicas constatadas na própolis.


Através da própolis é que se faz o extrato que é comercializado no Brasil e em outras partes do mundo. No Brasil ele é encontrado tanto na forma líquida, para ser diluído em água, quanto em cápsulas. A versão em cápsulas é uma boa opção, haja vista que seu extrato tem sabor bem forte, o que não é apreciado por algumas pessoas. Mas aqueles que como eu, não se incomodam com o sabor, dá pra consumir tranquilamente. Na verdade, eu consumo das duas formas, de acordo com a disponibilidade do produto onde costumo comprar. A vantagem do produto para ser diluído em água é que quando eu estou com a garganta irritada, com tosse ou inflamação, eu pingo algumas gotinhas do extrato na água e ele vai descendo pela garganta e trazendo um alívio. Houve ocasiões em que acordei no meio da madrugada com uma tosse tão intensa que pinguei 2 gotinhas direto na garganta sem diluir (confesso que não é agradável, o sabor é bem forte), mas parei de tossir e consegui dormir. Ou seja, resolveu meu problema.


Dentro das definições da Anvisa, temos as substância bioativas, que são substâncias químicas encontradas naturalmente em alimentos que não são classificadas como nutriente e que podem conferir benefícios à saúde, entre elas estão os Fenóis. É nessa classificação que o extrato de própolis se enquadra, pois ele é uma fonte natural dos compostos fenólicos, e consequentemente como um suplemento alimentar. O uso corriqueiro do extrato de própolis, pode prevenir o aparecimento de doenças, devido às suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas, antitumoral, entre outras já bastante estudadas e com diversos estudos publicados.


Um estudo de revisão, mostrou que vários artigos trouxeram diversos experimentos, in vivo e in vitro, utilizando própolis dos mais diversos tipos, coletados em diferentes regiões e países e com resultados bastante favoráveis ​​em relação aos extratos de própolis, que conseguiram atingir valores de potencial em testes anti-inflamatórios, principalmente quando comparados com substâncias isoladas já reconhecidas como bons anti-inflamatórios.


Outro estudo in vivo com uso do extrato de própolis verde em roedores, publicado no jornal Scientific Reports no ano de 2021., mostrou a ação atenuante do extrato sobre lesão renal aguda (IRA) e lesão pulmonar, causadas por sepse. O estudo é promissor, pois abre perspectivas para ensaios clínicos com a própolis verde na sepse. Ainda com roedores, um estudo descobriu que a própolis trouxe benefícios renais em ratos com doença renal crônica (DRC) agressiva e hipertensão. Nesse estudo, ficou demonstrada a redução da pressão arterial sistêmica, proteinúria e glomeruloesclerose, bem como do estresse oxidativo e da inflamação do tecido renal.


Já em estudo com humanos (ensaio clínico), randomizado (cujos participantes foram escolhidos de forma aleatória), desenvolvido no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 2017, mostrou-se a eficiência da própolis verde na redução significativa dos níveis de proteinúria, em pacientes com doença renal crônica (DRC) de origem diabética e não diabética. Os pacientes usaram extrato de própolis verde padronizado pela Apis Flora, pelo período de 12 meses. Não se sabe se o extrato usado foi alcoolico ou aquoso (não consegui identificar esse detalhe no estudo), mas a Aplis Flora, informa que independente da forma do extrato seja, com álcool, sem álcool, em óleo ou em pó, cápsula ou comprimido, creme ou gel, é garantida a preservação de todos os compostos da extrato de própolis EPP-AF®. Neste estudo, não fizeram parte, pacientes com transplante renal, gestantes, portadores de neoplasias (câncer) e portadores de glomerulopatia (doenças que acometem os glomérulos, pequenas estruturas dos rins) em uso de terapia imunossupressora. Nesse sentido, vale ressaltar que dentro das DRC, existem estágios e tratamentos distintos para cada um deles, e o estudo em questão foi realizado com pacientes em tratamento conservador, ou seja, que ainda não faziam diálise... Portanto, não se sabe se para pacientes já em hemodiálise, o própolis verde seria adequado, porque temos variáveis envolvidas.


E se tratando de questões renais, quero aqui falar da minha experiência com a própolis verde. Tenho muitos cálculos renais, em ambos rins. Tive minha primeira crise renal aos 12 anos. Até aquele momento não sabia que tinha as famosa pedra nos rins, nem meus pais. E com o passar dos anos eles aumentaram. A tomografia, as ressonâncias e as ultrassonografias mostraram isso. Hoje tenho várias pedrinhas que já me fizeram rolar de dor (sem qualquer exagero) e me levaram para o hospital diversas vezes. E não é só minha dupla de rins que sofre um bocadinho, minha bexiga também. Ela é hiperativa, tenho noctúria, vou ao banheiro algumas vezes durante a madrugada... Por aí você já pode perceber que não durmo direito, o que me deixa continuamente cansada e traz outros sintomas além do cansaço. Tenho que controlar minha alimentação, ficar de olho no sódio, oxalato, cafeína, etc; que fazem doer tanto os meus rins, quanto a minha bexiga. E também para não desenvolver uma insuficiência renal, já que portadores de cálculos renais, como eu, que tem uma verdadeira pedreira, são fortes candidatos a desenvolverem-na. Então nesse drible contínuo pra manter os rins funcionando, uma estratégia que passei a utilizar foi o uso da própolis verde. E olha, como ela me faz bem! Toda vez que a consumo meses a fio, sinto melhoras significativas: meus rins não doem, nem minha bexiga e levanto menos durante a madrugada para esvaziar a bexiga. Já fiz exames onde a minha creatinina estava alta, indicando baixa filtração glomerular e depois de consumir a própolis verde por um mês, fiz novamente o exame que já mostrava valores normais de creatinina. Então procuro não ficar sem consumir a própolis verde, pois toda vez que minhas cápsulas ou gotas para 3 meses acabam e fico mais de um mês sem tomar, as dores retornam. É claro, não posso deixar de dizer que não só a própolis verde me ajudou nesse sentido, mas também período, uma dieta com teor bem baixo de sódio, fez toda a diferença. Minhas refeições eram preparadas sem o acréscimo de sal e consumia o mínimo de produtos industrializados com alta concentração de sódio.


Mas continuando sobre as demais propriedades da própolis verde, pesquisas recentes apontam seu uso para tratamentos de doenças como o câncer, diabetes, tumores e inflamações, pois possui alta quantidade de artepillin C, substância com grande atividade antitumoral. Não é à toa que é muito utilizada em hospitais no Japão para o tratamento de pacientes que fazem a radioterapia.


Entre os extratos aquoso e alcoólico de própolis, este último garante uma maior absorção dos compostos da resina. No entanto, em certas patologias, como é o caso das ulceras gástricas/duodenais, não é recomendado o uso do extrato alcoólico, mas o aquoso ou ainda o seco (na forma de pó), pois o álcool de cereais pode gerar dor de cabeça crônica, gastrite e úlcera.


É preciso destacar também que apesar das várias benesses da própolis verde, isso não quer dizer que você deva sair por aí fazendo uso por conta própria inadvertidamente. É sempre bom frisar, que o consumo do extrato de própolis, deve ter a indicação e acompanhamento cuidadoso de um profissional médico ou nutricionista, pois cada pessoa é única, tem condições de saúde e sensibilidades diferentes. É preciso avaliar sua saúde como um todo, verificar como andam seus marcadores bioquímicos, pois cada caso é um caso.


É ainda aconselhável evitar o consumo de própolis durante a gravidez, pois não há evidências sólidas sobre sua segurança. Sua ingestão durante a amamentação também não é recomendada.


Quanto a sua toxicidade, vários estudos indicam que a própolis apresenta baixa toxicidade, e que geralmente as pessoas alérgicas a picadas de abelhas também são alérgicas ao uso ou à aplicação de própolis, mel, geleia real e pólen.



ATENÇÃO: nenhum alimento, chá, suplemento por si só, faz milagres na nossa saúde ou na nossa pele. É e sempre será, um conjunto de fatores que influenciam na manutenção da saúde e da beleza, bem como no adoecimento. Portanto, esse texto não tem como objetivo de tratar a PRÓPOLIS VERDE, como uma panaceia.





REFERÊNCIAS:


Brazilian Red Propolis Attenuates Hypertension and Renal Damage in 5/6 Renal Ablation Model. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0116535


Experimental Evidence for Therapeutic Potentials of Propolis Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8397973/


Brazilian Green Propolis: Anti-Inflammatory Property by an Immunomodulatory Activity. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3541042/


Evaluation of anti-inflammatory activity of propolis from Apis mellifera: a review. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/21817



Estudo da Unifesp relaciona efeitos do consumo da própolis verde brasileira nos parâmetros cardiovasculares. Dísponível em:


Green propolis extract attenuates acute kidney injury and lung injury in a rat model of sepsis

Experimental Evidence for Therapeutic Potentials of Propolis. Dísponível em:


de Miranda, MB e cols. Hydroalcoholic extract of Brazilian green propolis modulates inflammatory process in mice submitted to a low protein diet. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30399598/


https://apisbrasil.com.br/post/43/extrato-de-prpolis-em-cpsula-o-suplemento-alimentar-que-gera-benefcios-Disponível em: sade#:~:text=A%20classifica%C3%A7%C3%A3o%20do%20extrato%20de,a%20sua%20comercializa%C3%A7%C3%A3o%20no%20Brasil.


Mecanismo de ação do composto bioativo Artepillin C em sistemas miméticos de membranas e membranas citoplasmáticas de células tumorais. Disponível em:

https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/166564/mecanismo-de-acao-do-composto-bioativo-artepillin-c-em-sistemas-mimeticos-de-membranas-e-membranas-c/


www.portal.anvisa.gov.br



PAZIN, W. M.; VILANOVA, N.; VOETS, I. K.; SOARES, A. E. E.; ITO, A. S.. Effects of artepillin C on model membranes displaying liquid immiscibility. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, v. 52, n. 3, 2019. (16/09633-4) Disponível em:



Silveira, MAD et al. Effects of Brazilian green propolis on proteinuria and renal function in patients with chronic kidney disease: a randomized, double-blind, placebo-controlled triall.

Disponível em: https://bmcnephrol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12882-019-1337-7



Sforcin, JM & Bankova, V. Própolis: existe potencial para o desenvolvimento de novos fármacos?. J. Ethnopharmacol. 133 , 253–260 (2011). Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S037887411000735X


Atividade antiinflamatória, antiúlcera gástrica e toxicidade subcrônica do extrato etanólico de própolis https://www.scielo.br/j/rbfar/a/gDYPH9HsccXmm4dv8vSCgJG/




 
 
 

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